Terça-feira, Junho 30, 2009

"Férias no Teatro"

- Os participantes terão a possibilidade de trabalhar
os conceitos mais importantes da representação.

. Jogos Teatrais
. Voz
. Movimento
. Presença em Palco
. Construção de um Personagem.

Início: 13 de Julho
Espectáculo Final: 17 de Julho às 17.00h

Idades: dos 8 aos 17 anos (aceitam inscrições de idades inferiores com a obrigatoriedade de a criança saber ler)
Inscrição: 100 euros (seguro incluído)

ver aqui -INFORMAÇÃO COMPLETA

Quarta-feira, Março 04, 2009

emptiness

traz às vezes a brisa da primavera

notas de ouro polvilhado de mortes anunciadas

morreu outro que não eu
e choro a inveja de continuar eu cá

Sexta-feira, Fevereiro 13, 2009

morte adiada

correm longos cabelos negros
de um mundo desconhecido
revelado no esplendor doce do fenómeno simples do existir

são notas sustenidas
enviadas pelo sublimado e alheio deus

científico, implora seráfico à credulidade ateia
e assim toldando os sentidos
insinua uma bússola sem norte
aos habitantes deambulantes das sombras amargas

'tá mar chão
o cadáver adormece imóvel
no oceano infinito
desmentido pelo horizonte circumnavegante
liberto de intenção
assim jaz
pleno
na remota felicidade
do incomensurável indito

mas sopra uma brisa
incómoda
socrática
lazarenta
que não nos deixa morrer já

Domingo, Dezembro 21, 2008

Concerto de Viena 2008

Orquestra de Câmara Portuguesa - Orquestra em Residência no CCB

CCB // 21 Dezembro 2008 // 18 horas

Soprano: Alexandrina Pendatchanska
Piano: Sergio Tiempo
Coro da Rádio da Letónia
Direcção : Pedro Carneiro
Beethoven 2008 - 1ª Parte "Concerto de Viena"

- Sinfonia nº6 em Fá maior, Pastoral, op.68 (1808)
- Ária: Ah! Perfido, op.65 (1795)
- Gloria (Qui Tollis - Quoniam) da Missa em Dó, op.86 (1807)
- Concerto nº4 para piano e orquestra em Sol maior, op.58 (1807)

Quinta-feira, Dezembro 11, 2008

Pedro Carneiro Maestro em Estreia Internacional


11. December 19:00 - Tallinn, Estonia Concert Hall


A. ja J. Philidor – Marche de TimbalesHaydn – Symphony No 103 in E flat major

J. Fischer – Symphony for Eight Timpani and Orchestra

Beethoven – Symphony No 6 in F major Pastorale
Pedro Carneiro (percussion, Portugal)

Madis Metsamart (percussion)

Estonian National Symphony Orchestra

Conductor PEDRO CARNEIRO (Portugal)

Portuguese Pedro Carneiro is most and foremost internationally known as a percussionist to whom many contemporary composers have dedicated their works and who performs together with numerous top musicians and orchestras worldwide.


As a composer and improviser Carneiro uses live electronics, laptops and different cutting-edge technology in order to explore new sounds and timbres. This time Carneiro will play percussion music from 17.-18. century together with ERSO and principal percussionist of ERSO Madis Metsamart.


He will also perform as a conductor conducting Haydn’s and Beethoven’s symphonies.
Tickets: 180.-, 120.- (70.-)

Concert is produced by ERSO

100 anos

Já é tarde, mas não nos podemos ir deitar sem deixar aqui um voto de longa vida a Manoel de Oliveira.

Parabéns!

Não vi todos os filmes, mas dos que vi, vou destacar apenas o Quinto Império.

Ver um filme de Manoel de Oliveira é usufruir de uma experiância estética e não o mero deglutir de um momento de lazer e entretenimento, como sucede com a o desastre da filmografia americana, o pedantismo francês e as histórias de salão inglesas, ou o holiodismo espanhol e o realismo sofrível italiano.

A enchada de Oliveira sulca fundo no esquema da sensibilidade estética do fenómeno do gosto humano, e assim, dá-nos acesso ao eterno do humano, a descoberta ainda que fugaz do instante criativo e lúdico do incomensurável, que esporadicamente nos vai salvando da queda, que se adivinha inevitável, na selvática e primordial vontade de anular o outro, o senhor que insiste e nos incita a fazermo-nos seu escravo.

Sábado, Novembro 15, 2008

BI Fiscal - BIF

Cartão único seria o Bilhete de Identidade Fiscal.
E seria único.

Bastaria um único cartão, com um único número.
Seria a fórmula encontrada para governar um País onde pululam os eunucos.

Com o BIF, cuja sigla será o mote de invariáveis trocadilhos, identificar-nos-íamos perante qualquer instituição.

Serviria também de cartão multibanco que no acto de pagar a aquisição de todo e qualquer produto e serviço faria a diferenciação fiscal do escalão de IRS de cada um, pagando assim um IVA diferenciado.

Não faz sentido que o IVA de um par de sapatos seja o mesmo pora quem aufira por mês €600 ou €6000.

Esta diferenciação mais legítima ainda será na aquisição de produtos alimentares.

Do mesmo modo, se deveria passar na aquisição de um bilhete para a ópera, para um concerto de música rock ou erudita, ou do passe social.

A diferenciação do IVA deveria atender não só ao IRS de cada um, mas também à natureza do produto em causa.

De facto, quem aufere €600 euros por mês, não tem capacidade para pagar €100 euros para a plateia do São Carlos, se é que sabe o que isso é ou sequer se quer lá ir.

Teremos tempo para aprofundar todas estas questões e cobrir fragilidades de argumentação.

Estaria assim aberta a porta para uma gestão democrática da cobrança de impostos.

Porém, este esquema exige que a montante a radiografia fiscal dos rendimentos individuais seja escrutinada com rigor.

Além disso, os rendimentos individuais de todos os cidadãos deveriam ser públicos e à distância de uma pesquisa simples no site da DGCI.

Nota final: a responsabilização criminal dos agentes políticos e gestores públicos da saúde, justiça, cultura, administração interna, assim como dos gestores privados e proprietários por gestão onerosa tem se ser regulamentada e aplicada, com efeitos retroactivos até ao dia 25 de Abril de 1974.

Quinta-feira, Novembro 06, 2008

CHANGE: da esperança ao acto, e da cobardia à coragem

Quando falamos em português, em Portugal, não sabemos se ao dizermos preto estamos a ser racistas, se dizemos negro, não sabemos se estamos com medo de dizer preto e sermos rotulados de racistas.

Se dissermos de origem africana, estamos a ser rebuscados e com medo de dizer preto e sermos rotulados de racistas, ou negro, e etc.
Também dizemos escarumba quando nos foge o pé para o mais recôndito buraco do primarismo, e também glosamos a catinga.

Não nascemos racistas, nem xenófobos, mas crescemos num clima sociológico xenófobo, embora soft, mas mais acentuadamente racista.
Mesmo aqueles declaradamente racistas, são-no na maior parte das vezes envergonhadamente.
Pois, perdemos as colónias, regressámos à metrópole, e o racismo dos de lá confluiu com o dos de cá.

Portugal é racista e xenófobo. Enfim, mas nem por isso.
Portugal é feito de gente.

A xenofobia e o racismo são recíprocos e serve o status quo.

Portanto, o Obama candidato era o candidato africano, vamos chamar-lhe assim.

Não dizemos sino-americano, indio-americano, nipo-americano, nem hispano-americano.

Os asiáticos americanos são chamados de asiáticos e os imigrantes da américa latina, de hispânicos.

Esta questão acabou(?), e o discurso de Obama anulou-a(?), mas mais um ponto a seu favor, não a ignorou.
É apenas mais uma entre várias, que deverá ser arrumada nas notas de rodapé.

Pois a questão essencial da humanidade é a produção de riqueza e a sua distribuição entre os vivos organizados em sociedade.

E se Obama electrizou os americanos, que votaram nele, e difundiu pelo mundo inteiro um sentimento de comunhão e crença na mudança que anuncia é porque se dirigiu aos pobres, apontou o mérito e o sacrifício como critério e declarou guerra aos opositores da segurança e da riqueza.

Em Novembro, o novo Bretton Woods terá então de traduzir-se na real regulação dos mercados globais, não para que tudo fique na mesma, mas para que a Terra inicie uma marcha de desenvolvimento sustentável na utilização dos seus recursos naturais para nosso usufruto adequado.

Há um sentimento generalizado de que vivemos um momento de transformação.
Mas, não há unanimidade em relação a essa suposta necessidade de transformação que se pretende que seja uma regeneração.

Porém, todos estaremos de acordo que vivemos com certeza um momento de ebulição. Isso é certo.

O topo da Pirâmide está instável, em resultado da sua auto-satisfação autista.
O discurso mediático e o ainda funcionamento regular da complexidade sistémica que a sustenta ainda não sofreu qualquer abalo especial.

A incerteza discursiva da Global Street materializou-se e apenas sabemos dessa abstracta vida porque se publica publicada pelos seus bobos assalariados, invejosos e invejados, das redacções pululantes de estagiários, carne de aviário.
E publicou-se pois a disseminação junto dos unhappy está iminente.

Assim, no que se traduzirá se essa desesperante incerteza se materializar de forma clara e evidente para as castas anónimas da base da pirâmide?
Motins espontâneos? Organizados? Premeditados?
Haverá quem as arme?
Serial sessions of serial killers?
A imaginação (correcto será dizer a previsibilidade da percepçãp) só nos leva ao que nos parece possível, pois o impossível não é imaginado, apenas imaginamos o fantástico. E aqui já estaremos noutro plano, que não o da realidade (óbvio!).

Tudo isto é inverosímel, mas a cultura pop alimentada por hollywood já de pouco se pode espantar.

Entre a escolha e/ou a não escolha, permanecemos na inércia da não escolha de viver no egotismo paranóico, escolhemos o egoísmo tanto totalitário como libertino, e agora o estado das coisas parece estar a impôr a emergência de uma escolha definitiva, inadiável.

O caos ou a felicidade, o abismo ou o caminho, o egoísmo ou a solidariedade.



Existem dois planos de acção.
A operacionalidade da conjuntura para a encaminhar no sentido do desenvolvimento da convivência sustentada.

Respectivamente, gestão fiscal/política/justiça/educação/saúde e o quadro em que tudo se desenrola, o plano estratégico.

O elemento ígneo é a Energia.

A descoberta científica deste século tem de ser a massificação da utilização da energia solar.

A gestão da água tem de obedecer a critérios de regeneração dos solos.

A ocupação do território, seja urbana ou turística tem de se sujeitar às exigências da preservação do funcionamento vital dos ecossistemas.

E se Obama é citado por todo o mundo, é porque os EUA são de facto a sede do Império.

Os EUA marcam a agenda mundial, para o bem e para o mal.
A primazia dos EUA terá de se esbater num colégio intercontinental

Somos pró ou contra os EUA, somos ignorantes ou procuramos saber o que os EUA são. Lá e fora de lá.
Temos de conhecer a China, a Rússia, o Oriente, África, a Europa e Portugal, também.

O nosso compromisso individual começa connosco próprios, na empresa de não existirmos apenas como as pedras, de não sentirmos apáticos como um animal selvagem, mas enquanto seres falantes, descobrirmos o pensamento e lançarmo-nos na aventura da experiência do pensar presciente.

Obama é para a main street a vitória de mais uma batalha contra a inevitabilidade.
Veremos se Obama será engolido ou se se instala no inevitável.

Em Portugal, tudo é inevitável.

Queres patentear um algoritmo genético?
Não podemos, faz por tua conta e risco.

Queres ganhar uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos?
Não penses nisso, estamos em Portugal.

Queres fazer música?
Deixa-te de caprichos, não há mercado, e isso do mecenato é coisa de países ricos como os ingleses e os alemães. (atenção, a Espanha fica já ali)

Em Portugal é necessário retirar poder a quem tem dinheiro e dar dinheiro a quem quer exercer o poder.

Exercer o poder de empreender a gestão do bem comum, estando predisposto, em abdicar se a partilha assim o exigir.

A mentalidade canhestra das capelinhas e das cliques do radical chick, do centrão dos negócios, da aristocracia discreta, dos happy-few sorrateiros, só se esbaterá se o movimento vier de cima.

De outro modo, continuaremos a exclamar de revolução em revolução sobre "o estado a que isto chegou".
E o pós-revolução não é necessariamente muito previsível, especialmente hoje, quando o arsenal é dotado de efeitos insuportáveis, num espaço perpetuamente delimitado.

Se estas questões não forem tidas em conta e aprofundadas na sua compreensão e aplicação, o tempo perpétuo, que é a herança última para a qual trabalhamos e dá o significado final e salvífico à nossa existência, esse, apagar-se-á sem termos vivido a verdadeira busca da eternidade, o incomensurável que presentimos, pois neste momentos apenas e só nos foi dado o acesso ao tempo perpétuo.

E será o modo como gerirmos a nossa existência a este acesso evolutivo do tempo perpétuo que determinará se conquistamos as rédeas que garantem que ele não se apaga, mas antes, se perpetua na viagem civilizacional para lá das estrelas em busca de novas Terras.

No Olimpo, apenas aguardam pelo irmão de Prometeu, o Filho Pródigo.


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